2005-11-30

pelo menos

hoje:

- - - - - - - - (recortar pelo picotado e guardar na carteira) - - - - - - -

alguém não disse coisa com coisa
nasceu mais um ser humano
rangeste os dentes mesmo sem dares conta disso
olhaste para uma palavra e não conseguiste evitar de a ler
houve quem se declarasse a alguém
morreu um ser amado
recebeste um "não"

e se bateste uma porta,
já não é nada mau!

- - - - - (fim de: recortar pelo picotado e guardar na carteira) - - - - -



pão caseiro á moda antiga: sardoal - 2005

2005-11-29

primeiro de artilharia

...
há pessoas que passaram pelo fio da minha vida e que, de longe a longe, me visitam a memória.
quando fecham a porta sorrateiramente conforme entraram, dou por mim no sossego do sofá a pensar na importância dessas pessoas e no impacto que a insignificância dos seus encontrões - ou mesmo tropeções incautos - tiveram na recta da vida.

uma banal tarde de verão de 1973, com o magricela do Samuel, a atirar infrutíferos dardos feitos de caniços sobre a ribanceira a tentar acertar nos botes que regressavam da pesca pode ter causado com que eu tenha iniciado este texto mesmo sem imaginar que iria falar dessa distante tarde.

vamos, então, supor que essa tarde não tinha existid.......... . . . . . . .  .  .  .   .   .   .   .   .

*zoing!*

.   .   .  .  .  . . . . ....... já que, iremos actuar de um modo concertado sobre todas as vertentes e áreas de actuação possíveis na autarquia, de modo a obtermos os resultados segundo foram delineados pelo P.D.M.
Assim sendo, porei à disposição do eleitorado todas as informações de que disponho para que este processo seja esclarecido e para que não restem as mínimas dúvidas quanto à idoneidade da minha pessoa e da minha equipe!
Boa tarde, minhas senhoras e meus senhores. Agradeço que, para qualquer questão adicional, se dirijam ao meu secretariado.

boa tarde...



Ipso factum

dar e receber

o princípio é bastante básico e, digamos, elementar.
supomos que cada pessoa tem uma bolha de matéria iónica que a envolve e que mantém a energia alfa ::
     :: sabendo que a energia alfa é gerada a partir do corpo astral do indivíduo ::
   de cada ser de modo a torná-lo um indivíduo dentro de um universo que é o perceptível.
tomando isto como pressuposto, podemos então calcular a fórmula de interacção entre cada ser com os que o rodeia, tendo em conta, claro, o seguinte:

1) a "camada de Heizinger" deverá ter um padrão regular dentro dos parâmetros definidos pelos resultados da fórmula de Dopp;

2) o índice vibratório em estado de latência-após-o-sono não deverá ter picos superiores aos observados nos testes não homologados pela A.A.F.R.;

3) os luminescência deverá estar dentro da franja aceitável pelo padrão Delta (segundo a norma 234/02);

4) a capacidade de penetração inter-bolha será, obrigatoriamente, de baixa performance, segundo a tabela refereida em 2);

Estes são, portanto, os factores que permitem a perfeita harmonia entre uma pessoa com o seu par escolhido. Onde começa um e acaba o outro... "portantos"...

...



p:lagarto - 2005

2005-11-28

boston

- "deixa-me ver o que se passa de interessante em boston, tá?"
- "ora!... deixa-te de coisas! já te disse que não penses nessa parvoíce"
- "vá!... é só por curiosidade!"
- "grrrnf!"
- "hihihi! ... ora... google!... bos-ton... trucla!"

<*bzzt!*>

- "ah!... já cá temos coisas para ver!"
- "bah!... deixa-te disso!"

*tiriririri!...* ... *tiriririri!...* ...

- "espera, deixa-me ir atender o telefone, tá?"
- "grrrnf!..."

fui atender o telefone mas deixei propositadamente a janela com os resultados da busca aberta...



J. - 2003

pastilhinhas prá tosse

num local desolado, dei de caras com o diabo.
a besta era personificada por um daqueles azeiteiros que fazem "tuning" de Harley Davidsons em Milwaukee e que passam umas secas gigantescas de programas na tv.
não me lembro bem porquê nem sobre quê, mas a discussão com a besta era grave e forte e, também sem saber porquê, tive que matar o diabo!
De um momento para outro, vi-me com uma Micro Uzi nas mãos e incumbido de limpar o sarampo ao demo!... !
ora porra!... Vamos a isto: espeto a Micro Uzi na boca do bicho e descarrego o carregador pelas goelas da besta enquanto ela sorria com escárnio a cada safanão da culatra.

Claro que – também, que raio de tarefa me passaram! – a besta não morre! ora!

Sem saber como nem porquê, dei por mim a matar o pobre coitado do Patrick Swayze que me apareceu vindo sabe-se lá de onde!... Uma coisa é certa: com uma rajada da maldita Micro Uzi, o desgraçado ficou deitado na calçada molhada de uma rua ao pé de casa do JoaoLuc (nem sei porque raio o JoaoLuc entra na história!) enquanto eu via se o meu carro estava bem estacionado :|

...

segundo consta – o que eu ponho em dúvida – todos sonhamos todas as noites: 99,3% dos sonhos que tenho, não me lembro deles.

ah!... de manhã já não tinha febre :|



sei lá! :|

:|

2005-11-25

coiso prá coisa

hoje andei por aqui à procura de algo que não vos vou dizer porque não acho que tenham nada a ver com o assunto. sendo assim, escreverei sobre uma coisa desconhecida para vocês;
[aqui, entra um ENTER que teimou em entrar aqui ao fim de três tentativas para o evitar]
sento assim, falarei do "coiso":
o "coiso" era algo que queria oferecer à ... esperem lá! não pensem que vos vou revelar a quem irei oferecer o "coiso", não é? que raio têm vocês a ver com os ilustres destinatários das minhas ofertas? pois bem, andei a procurar o "coiso" para oferecer à "coisa" na próxima semana ::
      :: não é por ser natal que lhe vou oferecer algo, tomem nota
   simplesmente porque me lembrei dela. há coisas que só se dão a certas pessoas porque se gosta muito delas: então, o "coiso" tem que ser uma coisa que eu goste como se fosse para mim, embora a "coisa" seja bastante diferente de mim.

dei voltas na amazon, pesquisei no google, matutei onde raio arranjaria o "coiso" e não me ocorreu nenhum sítio possível.

. . . .

"coisa", se passares por aqui, manda-me um email a dizer que coisa queres que te dê, tá?

beijos, "coisa :)



old men chasing: lisboa - 2005

2005-11-23

387 ASA

19 linhas que acabei de apagar. estava mesmo uma bosta!



P:lagarto - no ensaio do grupo folclórico

2005-11-22

frangrância zeta

sabendo de antemão que não podia estar presente daquela vez, escrevi-lhe um "postit" dizendo:

"sabes que não te quero"

e, assinando com um "X",

colei-o no telefone para que, de certeza, o visse na primeira das muitas chamadas que iria fazer para L. lamuriando-se.

saí pela porta desengonçada da cozinha, batendo-a atrás de mim, para o pequeno pátio onde, no centro, o pequeno tanque de azulejos amarelo-claro em forma de lua fedia a água verde escura e podre do desleixo a que tudo tinha chegado naquele inverno.

"faz de conta que" - imaginei eu vezes e vezes enquanto o cigarro se consumia a cada volta aquele pátio desleixado. "faz de conta que" - mais uma vez faria de conta aquele calor da salamandra no canto da sala atafulhada de caixotes poeirentos cheios de memórias que eu não queria saber.

[depois escrevo mais, agora acabou-se-me a verve :| ]



barbearia

2005-11-16

I/O

"clique"

é o barulho que - dizem - faz um interruptor.

a particularidade curiosa dos interruptores
é que, mesmo quando avariados continuam a fazer

"clique"

só que não acendem a luz.



a sala vazia - 2003

2005-11-08

nota:

{ destaque %% sonoro %% halogénio %% spot %% flash }

toma nota!

{ fim de destaque }



nota para uso pessoal: algures - 2005

se

pá!... na minha humilde opinião, se queres que te diga, nem sei!... olha!... o mais que te poderia fazer, neste momento, era mesmo dizer-te algo que te pudesse ajudar mas, na verdade, o que te queria fazer mesmo era apoiar-te e dizer-te que te amo muito mas não sei não... acho que, como muita gente, o proferir tal verbo é algo de muito forte, mas, sim, mas para mim, o amar é algo que trago no bolso e posso atirar-te á cara facilmente porque amar-te é fácil: é natural e empírico; mas olha!... não te ponhas já com esse sorriso assim, que sabes bem que me tramas a vida e me deixas sem acção, sabes?... mas, sim!... sim, posso dizer-to sem receio até porque - como já te disse - trago sempre no bolso - olha aqui, viste? - o meu amor para com as outras: que queres?... é algo natural em mim, mas sim, se queres que diga algo que te alente, diz, que eu digo, sem pruridos nenhuns esborracho-te na cara isso que queres ouvir, viste?... não! pronto! agora começas com esse beicinho que me destrói por dentro e me faz amolecer o coração como tu sabes bem que ele amolece e depois... depois, ainda acabamos os dois abraçados a olhar o por do sol e a dizer parvoices sem conta e tu voltas outra vez a pedir-me o que eu não posso dar e eu não dou porque é natural em mim o não to dar...

... percebes?

. . . . . . . . vuuuuch! . . . . . [realidade]



é...

o tubo

no fundo de uma caixa de papel que encontrei outro dia em casa, enquanto arrumava um caixote que saltitou por três casas onde vivi nestes útlimos treze anos, encontrei um papel amarelado, escrito à mão por mim não sei quando no qual tentei entender, no meio de sarrabiscos já gastos, o que tinha escrito:

ao olhar aquilo, para me ajudar a entender o que estava gatafunhado ali, tive que fazer uma viagem para me recolocar naquela altura:

tinha acabado de chegar de Luanda fazia de certeza pouco tempo, pois referia o pesadelo recorrente que sempre tinha nos dias posteriores a uma das várias viagens que fiz naquela década a Angola ::
    :: a estrada e o ar eram vermelhos de fim do dia e acabávamos sempre com o jipe atascado numa mata de palmeiras no fundo da cidade, quem ia pela estrada do Catete, vendo - estranhamente dali - o mar em baixo ao fundo com navios à espera ... à espera
   e era verão, pois falava de qualquer coisa acerca da casa de família e do não querer ali estar e querer partir para qualquer sítio desde que fosse fora dali, longe do mar ::
    :: não entendo o porquê deste desespero em relação ao mar, que sempre gostei muito e do qual sinto sempre saudade
   tinha algo escrito sobre uma vereda por baixo de pinheiros, mas, na realidade esta frase - frases - não diziam nada que eu entendesse nem conseguisse encontrar andando ás voltas na memória.

alisei com a palma da mão o papel em cima da patine escura da mesa e puxei um pouco mais o pendente do candeeiro para perto, de modo a poder perceber o que tinha despejado naquela data ali::

    :: "por mais uma vez sou forçado a te gr[deverá ser "gritar"] ...sempre a aba[não se percebe]... ...seguiamos todos entre os pinheiros e sabe[ndo]... ... quase não chegámos nem sequer ao cimo percorrendo [...] vereda escura ...[bocado grande sem entender]... ... deixaste[não se percebe]... sem que nunca mais o visses desde esse dia e sabiamos que nunc[a]... ... sempre..."

assinado na minha letra com um X



montalegre, sardoal - 2005

2005-11-07

I know, you can

"sem saber bem como, naquela tarde cinzentona, dei por mim a olhar aquela rocha, amálgama disforme de matéria fria, morta, dura e sem saber como - volto a dizê-lo - olhei e vi que havia alguma coisa que podia moldar, criar, gerar daquele nada aparente, mas não consegui mexer as mãos, os olhos. vezes sem conta me tinha questionado para que servem as rochas se não as podemos levar para casa, torná-las nossas, guardá-las, e vezes sem conta - repito-o - reparei que, afinal, o que queria era aquela imagem - projecção, chama-lhe o que quiseres - daquela rocha dura e fria, morta: queria torná-la eterna, grande e minha.
naquele outro dia - em que ouvi os teus passos na areia grossa da calçada - fazendo o percurso já gasto em anos e anos de caminhadas monótonas, sorrimos quando olhámos aquela rocha morta, fria e dura que sempre me pareceu coisa sem solução.
disseste-me repara como brilham os pequenos cristais quando o sol vem dali - sim, dali de trás dos eucaliptos que tanto detestas mas que, a esta hora ficam diferentes todos os dias - e como, se olhares como eu te digo, acharás que a tua rocha afinal é a pedra brilhante que queres - e consegues, que eu bem sei - levar."

rabo de salmão

ultimamente tenho escrito aqui, de cada vez uma dúzia de linhas e depois apago tudo e fecho a janela do "post". saem-me coisas ainda sem mais sentido do que normalmente que, ao relê-las à medida que vou escrevendo, me parecem tão sem cabimento e idiotas que acabo por amarrotá-las furiosamente e atirá-las para o cesto dos papéis aqui mesmo ao lado.
desta vez fiz o mesmo: amarroto isto, assim!... e atiro esta merda para o lado.

pronto!



Velhascas - 2005