2005-06-29

cáucaso



até breve.

2005-06-28

"lindo serviço"

a minha campainha não toca. por preguiça, ainda não resolvi chamar alguém para ver o que se passa
- sim, detesto e sou completamente inepto em bricolage [tenho o condão de, ao tocar num parafuso, este ficar de imediato com a cabeça moída - sem excepção]

assim sendo, sempre que peço pizza ou convido alguém lá para casa, tenho que pedir
- "olhe, dê-me um toque, pois [desculpa] a campaínha às vezes não toca"
o que resulta, a maior parte das vezes, num penduranço do desgraçado á porta, por não se lembrar de dar o "toque"

. ontem foram-me entregar uma cama nova que encomendei numa lojeca entre as Olaias e Chelas, num rés-do-chão anódino e suburbano onde esvoaçavam papeis à porta enquanto tive que esperar pelo "meu genro" da senhora que fazia o turno da tarde: mais uma vez, o "genro da senhora" foi um dos que esqueceu de dar o "toque" e ficou a secar uns vinte minutos lá em baixo até se decidir telefonar-me - como eu tinha pedido, ora! - a perguntar se eu já estava em casa .

ao tirar a cama do furgão
- o colchão, digo-vos, é uma maravilha!
o "genro da senhora" passa-me para as mãos uma caixa:
- "pode você levar o serviço para cima?"

ora porra! já nem me lembrava que a compra do colchão dava direito à oferta de "um lindo serviço de jantar"!

.

depois de montada a cama, dei por mim, sentado no colchão nu, no quarto vazio, a olhar para uma caixa de um "lindo serviço" com debruado a azul e florzinhas amarelas e a pensar em nada.

.

tenho agora, num daqueles armários de lá de casa que servem para guardar inutilidades esquecidas, um "lindo serviço" que oferecerei ao próximo amigo que se divorciará



foto: lisboa: elevador da bica

2005-06-27

pensamentos soltos #01

alínea a:
ao fim de vários anos sem perceber, descobri este fim de semana que, comer fruta sensaborona me repugna completamente.

alínea b:
comprei:
3 rolos "Instax";
uma caixa de "saquinhos vileda" médios [daqueles com "zíper"]
uma caixa de "saquinhos vileda" pequenos [daqueles, também, com "zíper"]
uma pasta de dentes [a outra estava a acabar e não quero cheirar mal da boca enquanto viajo]
canetas de feltro [uma daquelas embalagens cheia de canetas ás cores]
5 sebentas baratuchas

alínea c:
tenho que ir comprar rolos a p&b
... dollars...

2005-06-24

corpo [# . . . ]

sobre
tu cuerpo he dejado lo que
nunca he podido
dicirte;
lejanos secretos
que hemos guardado, pero tan
cercanos;
los he abandonado;
sin embargo, nunca los he
olvidado

2005-06-23

com poucas letras

hoje disseram-me para escrever com poucas letras.






já está :)




foto: cabanas de viriato

2005-06-22

sem câmara

2001: junho: Madrid, um mês inteiro: na mão, ao fim do dia, a oly(*) e passeios sozinho para matar o tempo depois do trabalho: caña aqui, caña ali; foto aqui, foto ali: no fim do dia, revia as fotos e pensava que tinha feito umas coisas de jeito.

2005: junho: Madrid, quatro dias: na mão, ao fim do dia, nenhuma câmara e passeios sozinho para matar o tepo depois do trabalho: caña aqui, caña ali: enjoei de fotografar em Madrid: as pessoas a descansar à sombra, estas cenas urbanas que já nada me dizem.


daqui a uma semana parto por 15 dias [Geórgia e Arménia]: andarei por locais com que sonho há anos

levarei a câmara.



foto: viana do alentejo: maio de 2005

calipo de limão

Madrid, 19h, 38 graus C

... "tou? mana?... estou cá, sim cá em Madrid"
... bzzzt!... rssshhhh
... "... qu. dizes? quer.... casa?"
... "estás-me a ouvir?"
... rsshhh... rakshhh... sssss.... bzzt.
... "... diz lá: ... est.. .qui... ... horas?"
... bip- bip- bip- bip-...

ora porra! merda para os telemóveis!
[ora, botão verde... porra para este calor! ... ora bem...]
beeeep- beeeep- ... beeeep- beeeep- ... [nada]

fiquei por uma esplanada onde estavam, nas mesas á minha volta, um sikh a beber coke acompanhado de um quarentão com ar de HIV que fumava um "puro" mal cheiroso; ao meu lado sentaram-se duas "camónes" de vinte-e-tais com aspecto de inglesas, desleixadas, rosadas e de braços gordos que se sentiram realizadas quando se viraram para o empregado e pediram "dous cáñass".

continuei a ler "Stories I Stole" acompanhado da minha "caña" e de um pratinho onde, num palito, estava pendurada uma salada de atum.



nota: a foto não tem, propositadamente, nada a ver com o texto, como devem notar.

2005-06-21

por aqui e por ali

bem sei que não tenho andado por cá. é verdade: quase não tenho parado tempo nenhum neste último mês. entre espanha durante a semana e portugal ao fim de semana, sobra tão pouco tempo para mim que, depois de estabelecer prioridades, este blog vai ficando para trás.

"que me interessa isso?!" pensam vocês.

pois: que me interessa o que vocês pensam?



alentejo - numa feira de cavalos ciganos

2005-06-14

o pastor

tinha um primo que dizia sempre: "um dia hei-de ter este barco pronto e hei-de rumar ao oceano"

era um sonho que o acompanhou durante anos, desde que seu pai faleceu já nos anos setenta. mantinha aquele feixe de varas pousado desajeitadamente sobre uma carcaça de costelas de madeira espetadas, jazentes naquela adega poeirenta e atafulhada de teias de aranha de restos de recordações de família. os próprios restos do que fora alguma vez um barco a motor elegante das rias de veneza eram uma carcaça patética dos tempos de família nas férias na côte d'azur, dos tchim-tchins de cannes, do miguel de luvas de conduzir e fato escuro; eram outros tempos - dizia-me sempre ele.

memórias que se estatelavam torpes no chão esburacado desta adega, por entre tímidos raios de luz empoeirados que eram agora a imagem apagada dos tempos de azáfama de tractores a despejar periquita e trincadeira preta, dos braços tisnados do sol da vindima; restava pouco, já do que fora quase uma dinastia.

manteve-se o sonho utópico de voltar a por aquela carcaça a navegar no mar.

lembro-me de ver-lhe nas mãos cruzadas, pousadas sobre o peito, os arranhões recentes da plaina

(foto: santo antónio de lisboa :: fez ontem um ano)

2005-06-08

invicta

desculpa lá mas, de ti, só me restam fatias ressequidas da memória, perdidas entre migalhas secas cuspidas pelo esquecimento que naturalmente tenho das coisas passadas.
umas, têm o sabor frio da luz pálida do inverno que lambia a calçada irregular de Sá da Bandeira ainda brilhante da chuva sumida; outras, o pairar doce do cheiro do café torrado ao virar a Formosa numa manhã de Sábado húmido; há ainda a maresia constante da marginal que me salpica a cara quando me - agora - quero lembrar dela; e o bafo que tolda o ar cada passo que dou na fria manhã de Cedofeita onde bebo o odor ímpar da fumarada das castanhas assadas que envolveu um qualquer Novembro esquecido.

essencialmente, recordo-me do frio, do ar e dos cheiros.

guardo muito poucas memórias de almas que pararam no tempo e ainda menos das que quiseram sumir.

clara

escolhi o nome - sim, lembro-me que fui eu - sem ser por acaso.

a simplicidade e a beleza não se escolhem - sendo fruto da espontaneidade - nascem com naturalidade; crescem sem darmos conta disso porque nos são inerentes; no entanto - paradoxalmente - por serem talhadas pelo que nos é intuição, nos fascinam a cada momento.

um dia verás que assim é. *

2005-06-07

da pedra

fui buscar força onde não pensei encontrá-la e
moldei a pedra fria e dura com golpes certeiros de onde
rasguei os traços que imaginei
e dos estilhaços que saltaram nada mais quis saber

acho que consegui separar-te daquele bloco informe em que te tornaste

2005-06-04

classificado #1: retratos

gosto mesmo de fazer estes retratos:
bem... se gostas dos retratos que eu faço e queres que te faça uma sessão de retratos [do género dos que vês por aqui] manda-me um mail para fotex2001@hotmail.com e dá-me as tuas "coordenadas" para combinarmos uma sessão.

[volta e meia porei aqui mais oportunidades destas]

. . . . . . . . . .

luis :: Novembro de 2004

2005-06-03

a calma

gostei mesmo de algumas fotos que te fiz
:)*

cristo "unplugged"

Rasnov, Roménia - 2005

. . . [ n a d a ]

2005-06-01

mudam-se os tempos

respirava fotografia. tinha a máquina como extensão da mão, do olhar. cada olhar, uma enquadramento. disparava sem ponderar, totalmente levado por um instinto que diria selvagem.
sinto a fotografia. tenho a máquina como extensão de mim próprio. estudo e faço pré-crítica. disparo, no entanto, levado por um instinto que me dita e ditará sempre o meu modo de olhar tudo o que me rodeia.

camouflage

era bom que houvesse uma parede em que nos pudessemos esconder de modo a podermos ver tudo à nossa volta e não sermos vistos