a minha campainha não toca. por preguiça, ainda não resolvi chamar alguém para ver o que se passa
- sim, detesto e sou completamente inepto em bricolage [tenho o condão de, ao tocar num parafuso, este ficar de imediato com a cabeça moída - sem excepção]
assim sendo, sempre que peço pizza ou convido alguém lá para casa, tenho que pedir
- "olhe, dê-me um toque, pois [desculpa] a campaínha às vezes não toca"
o que resulta, a maior parte das vezes, num penduranço do desgraçado á porta, por não se lembrar de dar o "toque"
. ontem foram-me entregar uma cama nova que encomendei numa lojeca entre as Olaias e Chelas, num rés-do-chão anódino e suburbano onde esvoaçavam papeis à porta enquanto tive que esperar pelo "meu genro" da senhora que fazia o turno da tarde: mais uma vez, o "genro da senhora" foi um dos que esqueceu de dar o "toque" e ficou a secar uns vinte minutos lá em baixo até se decidir telefonar-me - como eu tinha pedido, ora! - a perguntar se eu já estava em casa .
ao tirar a cama do furgão
- o colchão, digo-vos, é uma maravilha!
o "genro da senhora" passa-me para as mãos uma caixa:
- "pode você levar o serviço para cima?"
ora porra! já nem me lembrava que a compra do colchão dava direito à oferta de "um lindo serviço de jantar"!
.
depois de montada a cama, dei por mim, sentado no colchão nu, no quarto vazio, a olhar para uma caixa de um "lindo serviço" com debruado a azul e florzinhas amarelas e a pensar em nada.
.
tenho agora, num daqueles armários de lá de casa que servem para guardar inutilidades esquecidas, um "lindo serviço" que oferecerei ao próximo amigo que se divorciará
foto: lisboa: elevador da bica